Folha on line DANIEL CARVALHO
DE SÃO PAULO
O MEC (Ministério da Educação) vai recorrer da decisão da Justiça que garante a um candidato do Ceará direito a ver a correção da redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e a pedir revisão da nota.
Aluno do Ceará consegue acesso à correção da redação do Enem
Iago Técio da Silva de Sousa é o primeiro estudante --ao menos no Nordeste-- a conseguir direito de acessar o espelho digitalizado da redação com as correções da banca. Depois que receber o exame, o jovem tem 48 horas para recorrer da nota.
A decisão foi tomada pela segunda turma do TRF-5 (Tribunal Regional Federal da 5ª região) na semana passada. O relator do agravo de instrumento, desembargador Francisco Wildo Dantas, escreveu que essas medidas "representam o exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa".
Em nota, o MEC declarou que estuda a defesa e não informou quando ingressará com o recurso.
Esta é a segunda vez que o governo federal recorre da ação movida pelo estudante. O jovem já havia ingressado com uma ação contra o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira), responsável pela prova.
A Justiça Federal no Ceará concedeu liminar garantindo o direito de acesso ao exame, mas o Inep recorreu ao TRF, alegando que o edital daquele ano não garantia acesso às provas.
O Inep também disse que o exame é um instrumento de avaliação e que não aprova ou reprova ninguém.
O instituto afirmou ainda que já havia firmado com um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) por meio do qual se comprometia a garantir vista das provas e prazo para recurso aos candidatos a partir do exame deste ano.
O TRF entendeu que, apesar de o Enem não ter caráter de concurso público, tem sido utilizado como elemento de aprovação para universidades. O tribunal afirmou também que o TAC não revoga o direito dos estudantes de buscar seus direitos.
O TRF já havia julgado duas ações referentes ao Enem. Em novembro de 2011, o tribunal suspendeu a liminar da Justiça Federal no Ceará que determinava o cancelamento de 13 questões do Enem para todo o país, após vazamento entre alunos de um colégio em Fortaleza.
Em janeiro, suspendeu outra liminar que, dessa vez, liberava o acesso às provas e correção das redações do Enem 2011 para todos os candidatos do país, permitindo apenas ações individuais, como a do estudante cearense.
Substância 'embalada' em estruturas minúsculas foi eficaz em estudo da Unesp
Tecnologia precisa de mais testes para garantir que pedaços pequenos não vão cair na corrente sanguínea
LEANDRO MARTINSUma nova maneira de transportar para dentro da pele uma substância cosmética já amplamente utilizada em cremes antienvelhecimento, através da nanotecnologia, pode tornar mais eficiente o combate às rugas.
A constatação é de pesquisa realizada na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp de Araraquara, no interior de São Paulo, que resultou no desenvolvimento de um nanocosmético.
O composto microscópico formado de cristais líquidos obtidos a partir de silicones resultou em gotículas da ordem de nanômetros.
Para se ter ideia, um nanômetro é a bilionésima parte do metro -50 mil vezes mais fino do que um fio de cabelo.
Essas estruturas, segundo o farmacêutico Marlus Chorilli, responsável pelo estudo, são capazes de penetrar nas camadas mais internas da epiderme e controlar a velocidade com que o princípio ativo será liberado.
Às nanoestruturas de silicone foi adicionada uma substância que já é usada em cremes anti-idade existentes atualmente no mercado.
Trata-se do palmitato de retinol, um tipo sintético de vitamina A usado para prevenir ou retardar mudanças associadas ao processo de envelhecimento cutâneo.
"A vantagem da nanotecnologia para incorporar essa substância é potencializar a ação", disse o pesquisador.
Além de amplificar seus efeitos, a nanotecnologia também deu mais estabilidade ao produto, conta Chorilli.
Isso é importante quando se trata do palmitato de retinol porque o princípio ativo apresenta estabilidade química limitada quando exposto a condições como umidade, oxigênio e até à luz.
RESULTADOS
Os testes iniciais foram feitos em coelhos e, segundo o pesquisador, indicaram que a formulação é segura.
Além disso, o produto aumentou o número de fibroblastos, células capazes de produzir fibras colágenas e elásticas responsáveis por dar melhor condição à pele.
Depois dos coelhos, foi a vez de testes em 32 voluntárias com idade entre 30 e 45 anos, que receberam o nanocosmético ao redor de um dos olhos diariamente, pelo período de um mês.
O estudo apontou redução significativa no tamanho e na profundidade das rugas, em comparação à região dos olhos que não foi tratada.
Segundo Chorilli, depois do palmitato, os estudos com nanotecnologia já estão envolvendo outras substâncias, como extrato seco de cacau orgânico e chá verde.
Para o médico Davi de Lacerda, dermatologista pelo hospital Johns Hopkins nos EUA, que avaliou o estudo a pedido daFolha, a pesquisa merece elogios.
Ele pondera, no entanto, que é preciso obter resultados de outros grupos para saber se os dados relacionados ao aumento de fibroblastos são reprodutíveis. Além disso, estudos clínicos com populações maiores são essenciais para concluir sobre o real efeito dos produtos.
REFLEXOS
O médico Lacerda ressalta ainda que o aumento das aplicações nanotecnológicas amplia a necessidade de se conhecer melhor os impactos dessas partículas na saúde humana e no ecossistema.
"Este desafio começa a formar uma nova 'escola científica', chamada por alguns de 'nanotoxicologia'", afirmou.
No estudo da Unesp, segundo Chorilli, não foi avaliado o risco das nanoestruturas na corrente sanguínea.
Ele cita, porém, que uma série de fármacos com nanoestrutura têm sido liberadas para uso pela FDA (agência que regula os medicamentos e os alimentos nos EUA).
Fonte: Jornal Folha de SP, Ciência+Saude, 07/05/2012
Por que a maior carência de professores é na disciplina de arte? São 85 escolas estaduais funcionando sem professor de arte na capital de São Paulo
A notícia da Folha de 25 de abril dando conta de que faltam professores em 32% das escolas estaduais é um escândalo em si mesma.
Que outra instituição se daria ao "luxo" de abrir as portas com apenas dois terços de seu contingente?
Imagine-se a linha de montagem de uma indústria que vai lançar um novo produto com um contingente rebaixado em 32%. Que tal um automóvel com três rodas como produto final? E que tal um aluno manco para explicar o que significa esse índice vergonhoso?
E por que a maior carência incide justamente sobre a disciplina de arte? São 85 escolas estaduais funcionando sem professor de arte na capital de São Paulo.
E, no Brasil, apenas cerca de 20% dos professores em exercício têm formação em artes.
Apesar de a arte ser uma disciplina obrigatória desde 1996, apesar de a formação específica em artes ser obrigatória para o professor da área e apesar, ainda, de o Ministério da Educação ter acelerado a oferta de cursos de graduação em arte através da Capes, temos esse quadro clamoroso de insuficiências.
Ou seja: o Brasil é pródigo em produzir leis de efeito, mas muito lento ao implementá-las e mesmo cobrar a sua efetivação.
Um estudo do Banco Mundial revela que as "habilidades do século 21" são cruciais para a próxima geração de trabalhadores do Brasil.
São elas: a capacidade de pensar analiticamente, de fazer perguntas críticas, de aprender novas habilidades, de operar com alto nível de habilidades interpessoais e de trabalhar eficazmente em equipes.
O estudo mostra ainda que a melhoria da qualidade dos professores no Brasil exigirá o apoio ao melhoramento contínuo da prática, entre outras questões.
É exatamente isso que o Instituto Arte na Escola vem fazendo de Norte a Sul do Brasil, através de parcerias com 47 universidades há mais de duas décadas.
Temos nos ocupado em manter programas de educação continuada para professores de arte de escolas públicas, reunindo 1.700 professores nos grupos de estudos que mantemos em nossa rede de universidades parceiras, de forma a atualizar a sua prática, receber supervisão e realizar "peer learning" (aprendizagem entre pares).
O Instituto Arte na Escola fornece materiais pedagógicos e um site (www.artenaescola.org.br) de apoio atualizado e interativo, rico em oportunidades de pesquisa e colaboração entre os pares.
Mais de 40 mil professores formam, pelo site, uma comunidade de aprendizado que se sente respaldada em seu exercício profissional.
Esses professores que hoje optam por se reciclar continuamente nas nossas universidades parceiras já seriam uma festa em qualquer disciplina. Mas sabendo, como hoje se sabe, que aprender através das artes evita a repetência e a evasão (e traz efeitos significativos para a aquisição de conhecimentos também em outras áreas), as razões para comemorar são ainda maiores.
E talvez sirvam como contraponto a este desalento que nos fica do pouco caso com que a Secretaria de Educação de São Paulo trata o ensino de arte no Estado que é o carro-chefe da economia do país.
Um Estado que necessita de profissionais com pensamento analítico, aptos a fazer perguntas críticas e a aprender novas habilidades. Gente criativa para um século 21 que aponta um novo lugar possível para o país que era um gigante adormecido.

Professores qualificados, material didático de excelente qualidade, duas bibliotecas com ótimo acervo, monitoria e plantão de dúvidas todas as tardes, mini-cursos de atualização e cursos extra-curriculares são algumas das ferramentas que possibilitam ao Cursinho CAASO figurar entre os cursos com maiores índices de aprovação de São Carlos.
O sucesso dos nossos alunos é o nosso sucesso!